Amor Fast-Food
Ela atravessou-se à minha frente, linda! Trazia um vestido branco simples e em medida esvoaçante, um cinto vermelho a combinar com com a fita vermelha no cabelo e com os sapatos de sola rasa igualmente vermelhos. Equanto caminhou mais próxima a mim, fiz-me desinteressado e aparentemente inocente a cantar a "Billie Jean" estalando os dedos num swing jazzístico.
Mais tarde à medida que se afastava, percebi que era impossível continuar a gingar ao aperceber-me da beleza daquele momento e sobretudo daquele ser. Caminhava como há muito não se vê caminhar uma mulher, num movimento de ancas belo - Cinematográfico até! - em sintonia com uma certa inocência na forma como assentava os pés no chão (calcanhares para dentro e as pontas para fora).
Olhou-me várias vezes por cima do ombro, apercebendo-se que estava a ser devidamente apreciada, este acto de provocação deixou-me estupefacto e mais curioso: "Que mulher perfeita!" - pensei então já com os épicos de um Ennio Morricone na cabeça. De facto senti-me num filme italiano, ela trouxera-me emoções de uma teatralidade atróz, de tal forma penso que soube bem viver só para ver uma mulher assim, que era capaz de viver cem anos de tormento para no final encontrar aquela visão inspiradora!
Mudámos de caminho e mais tarde um pouco vi-a ao longe, já não olhava por cima do ombro, já ninguém a seguia e a vaidade que lhe ficava tão bem logo se desmembrara.
Pensei para mim: "Se ela olhar para trás mando-lhe um beijo daqui!" - não olhou e entretanto perdi-a de vista e assim, nunca mais a vi...
André Gonzalez
Mais tarde à medida que se afastava, percebi que era impossível continuar a gingar ao aperceber-me da beleza daquele momento e sobretudo daquele ser. Caminhava como há muito não se vê caminhar uma mulher, num movimento de ancas belo - Cinematográfico até! - em sintonia com uma certa inocência na forma como assentava os pés no chão (calcanhares para dentro e as pontas para fora).
Olhou-me várias vezes por cima do ombro, apercebendo-se que estava a ser devidamente apreciada, este acto de provocação deixou-me estupefacto e mais curioso: "Que mulher perfeita!" - pensei então já com os épicos de um Ennio Morricone na cabeça. De facto senti-me num filme italiano, ela trouxera-me emoções de uma teatralidade atróz, de tal forma penso que soube bem viver só para ver uma mulher assim, que era capaz de viver cem anos de tormento para no final encontrar aquela visão inspiradora!
Mudámos de caminho e mais tarde um pouco vi-a ao longe, já não olhava por cima do ombro, já ninguém a seguia e a vaidade que lhe ficava tão bem logo se desmembrara.
Pensei para mim: "Se ela olhar para trás mando-lhe um beijo daqui!" - não olhou e entretanto perdi-a de vista e assim, nunca mais a vi...
André Gonzalez

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