O povo unido jamais será vencido
Assistimos de vez em quando, nos meios noticiosos a palavras de ordem diferentes das lançadas nos anos 70: “cena chunga!”, “é roto!” e “huh?!” são novas expressões de agressividade, emoção e sentimento.Os estudantes habituaram-nos a rir e eu estou-lhes grato. Encaro-os como uma paródia à época da revolução. Ora, as discotecas subsistem à custa das borbulhas dos sweet sixteen; meninos que têm o que querem e vêem-se livres do que não querem com uma velocidade capaz de por Obikwelu invejoso, autênticos principezinhos que comem bem e bebem melhor: compreendo a raiva deles.
É um facto que o ensino devia estar a par das novas exigências. Como decidir qual o modelo de telemóvel? Qual o sabor a acrescentar à vodka? Como vomitar sem sujar a roupa nova?! Estas questões poderiam se transformar em novas disciplinas e empregar centenas de professores actualmente no desemprego mas a FENPROF ficava sem grande coisa para fazer.
Paira no ar a leve suspeita de que as manifestações dos estudantes encobrem o desejo (único) de faltarem ás aulas. Esta visão egoísta, a meu ver, tem o seu valor: o conceito de “Manifestação” deixa de estar aliado a “Direitos”, “Luta” e “Mudança” e associa-se a “Rambóia”, “Acne” e “Estupidez”: É a língua portuguesa em constante movimento!
Mudam-se os tempos mudam-se as vontades.
Chiquito Hernandez

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